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Crónicas da Parvoeira

Quando a parvoíce existe em demasia, a partilha é inevitável.

Crónicas da Parvoeira

Quando a parvoíce existe em demasia, a partilha é inevitável.

10.Out.20

O Caminhante Antigravidade

O Cronista da Parvoíce

Desafio da Tânia Gomes

Premissa: Como andar sem pisar o chão.

Quando tenho falta de inspiração uso sempre a minha bomba da asma. Estou a confundir é quando a respiração falha é que a uso. Ou depois de encher a Pamela. Não sabes quem é a Pamela? É a substituta da Natacha! Infelizmente rompi-a de tanto uso. Já não se fazem boneca insufláveis como antigamente. Quando a minha inspiração está em baixo tenho uma estratégia infalível para resolver a questão. Basta ir para a casa-de-banho e sentar-me no trono. Não sei se é por ser um lugar mágico ou por estar drunfado por odores intestinais, mas de um momento para outro, torno-me num autêntico idiota com um corrupio de ideias. Enquanto uns usam álcool, ou mesmo drogas, eu preciso de um bom cozido, de uma boa feijoada ou qualquer outra refeição que implica uma ida obrigatória onde acontece a magia (entre outras coisas), ou seja, a casa-de-banho.

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Confesso que também aproveito as energias inspirativas da casa-de-banho para reflectir e tentar responder a questões cuja a pertinência e a estupidez estão de mãos dadas. Agora pensa comigo. Se uma pessoa está nua, ela pode levar um tiro a queima roupa? Não sabes?! Pois! Pertinente e estúpido! Nas minhas últimas visitas ao reino inspiracional, e depois de um esforço tremendo para brotar alguma coisa, ideia e não só, surgiram-me duas questões. Como tomar banho no rio sem o molhar os pés? E como andar sem pisar o chão? Quanto ao banho é fácil, basta usar sacos de plásticos hermeticamente fechados, mas esse calçado improvisado potenciaria algumas quedas. a melhor forma é fazendo constantemente o pino debaixo de água, mas esta solução não é muito recomendada para os asmáticos. Para ter a certeza que não vai molhar os pés, o melhor é ser perneta. Assim está garantido!

O Caminhante Antigravidade.jpg

Agora a questão do andar sem pisar o chão parece-me mais difícil de responder. É respondível, mas mais complexa. Na procura de respostas, outras questões se levantam. Isso de pisar o chão implica um contacto directo dos meus pés ou mãos com o solo? As mãos?! Perguntas tu? E bem! Sim porque pensei na hipótese de descolar-me fazendo o pino, mas devido a questões físicas, como o poder gravitacional da minha barriga, está demasiadamente desenvolvida, e por isso, estaria constantemente a cair. Ou mesmo o desequilíbrio muscular dos meus membros superiores. Tenho um braço mais musculado que o outro. Não vou explicar porquê, mas só dizer que está relacionado com visionamento noturno de cinema exótico.

Também pensei na hipótese de viajar usando substâncias psicotrópicas, mas não estaria mesmo a andar. Viajaria com unicórnios e elefantes rosas, mas sempre no mesmo lugar. A deslocação recorrendo a veículos pareceu-me a solução certa. O problema é que esses mesmos têm chão, ou seja, ando a mesma pisando o chão.  Outra hipótese seria ser um super-herói que pode voar, ou mesmo flutuar, o Antigravidade Man. Infelizmente, e por razoes logísticas, não é possível. Os fatos são demasiado apertados, iriam embalofar-me e como qualquer herói respeitável teria de usar máscara, e como sou míope, não iria resultar. Já é um pesadelo para arranjar uma folia no carnaval, nem quero pensar andar assim todos dias. Ficaria ridículo com a máscara por cima dos óculos.

Mesmo assim, e contra todas as tuas expectativas, arranjei a solução para andar sem eu pisar o chão. É simples. Sempre que eu usar qualquer tipo de transporte, vou com os pés levantados. O que nem é muito difícil visto que sou baixinho e tenho dificuldade em tocar no chão estou sentado. É que nem no trono chego ao chão. Falando nisso. Sinto, e muito, malditos gases, que chegou a hora de ter mais umas ideias.

O Cronista da Parvoíce © 2020

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