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Crónicas da Parvoeira

Quando a parvoíce existe em demasia, a partilha é inevitável.

Crónicas da Parvoeira

Quando a parvoíce existe em demasia, a partilha é inevitável.

24.Set.20

E de repente nos Quarenta

O Cronista da Parvoíce

E assim do nada, repentemente tenho quarenta anos. Não foi bem de repente porque passaram aproximadamente 14611 dias desde do meu nascimento. Não me deitei com vinte anos e acordei com quarenta. Só mesmo fazendo um desejo ao estilo do filme “Big” com Tom Hanks, mas porque raio queria eu, e do nada, ficar muito mais velho? Com tantos desejos possíveis não me parece que escolheria esse. Ficar mais alto?! Poderia dar jeito! Agora mais velho?! Não!

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Sempre disse que a idade é apenas um número e que basta um espírito jovem para se manter jovem, mas a verdade é que os cabelos grisalhos que começaram a povoar a minha cabeça comecem a provar-me o contrário. Eu sei que não é a cor do cabelo que define a minha juvenilidade e que os cabelos brancos são, apenas e só, um lembrete que a mesma começa a ter os dias contados. Poderia pintá-los, mas não seria discriminação capilar? Pintá-los?! Sim! Mas pintá-los de que cor? Preto? Nesse caso não seria coerente só pintar tudo o que está acinzentado? Quando falo em tudo, refiro-me à barba e às sobrancelhas. Não me parece uma solução viável! Visto que é demasiada trabalhosa! Porque não arrancar os pelos e cabelos brancos? Repito! Demasiado trabalhoso! E não tenho idade para essas coisas. Para dar um ar juvenil, e se é para pintar, pensei fazê-lo em azul bebé, que é uma cor jovem, mas seria muito trabalhoso, ou seja muito cansativo, e não tenho idade para essas coisas. Canso-me muito rapidamente.

E esse é outro dos problemas que o passar dos anos revela. Agora, e mais do que nunca, tenho imensos problemas físicos. Não consigo correr muitos quilómetros, e muitos para mim são mais que um, a verdade é que também não conseguia. Antigamente podia jogar futebol horas e horas, sem me ressentir muscularmente durantes os dias seguintes, hoje em dia, e para também poupar nas pomadas, decidi jogar uma vez por ano e em todos anos bissextos, assim tenho tempo para recuperar. Não me digam que daqui quatro anos não estarei pronto para outra jogatana? Só se me lesionar antes do jogo! Há quatro anos estava a calçar as meias e dei um mau jeito às costas e fiquei de cama sem mexer durante não sei quantos dias. Falando disso, este ano é ano de jogatana. Não me posso lesionar! Acho melhor jogar sem meias!

O meu quadragésimo aniversário está a deixar-me com algumas expectativas. Os quarenta estão ao virar da esquina, ou mesmo à porta, mas na verdade não é nada que me assuste realmente. Primeiro que se, e como, estão ao virar da esquina para evitá-los vou por outro lado. Segundo, e tal como a questão da esquina, quando queremos evitar algo que esteja atrás de uma porta, basta não a abrir. Finalmente, e o maior garante da minha juvenilidade é a minha eterna infantilidade. Mente jovem, corpo jovem. Mais ou menos. Há dias magoei-me as costas a calçar uma meia, mas isso é porque antes não tinha feito nem o aquecimento, nem os alongamentos. Não fazem alongamentos antes de se vestirem? Estranho!

A questão que se coloca, e, diga-se de passagem, muito bem, é se não tenho problemas com chegar aos quarenta quais são as expectativas que falava há pouco. Simples! Não são nenhumas! Não tenho qualquer sintoma da crise dos quarenta, afinal tenho uma idade mental que ronda aproximadamente os doze anos. Estava apenas a criar suspense! Durante anos chamei de velhos (não foi bem este termo) os meus primos e primas com quarenta e mais anos e sei que estão ansiosos para uma certa vingança. como a idade não favorece a memoria, é sempre bom relembrá-los, que à medida que eu envelheço, eles também, portanto nada de gracinhas. Mais vos digo, o meu irmão tem sido um querido, deve estar preocupado com a minha memória, a relembrar-me que vou fazer quarenta e estou a ficar velho.

Faltam dez anos para ele ter quarenta. E espero que, na altura, a minha irmã me vinga. Mana, conto contigo! É melhor não contares comigo para te lembrares disso. Desconfio que daqui dez anos a minha memória não esteja no seu auge.

O Cronista da Parvoíce © 2020

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