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Crónicas da Parvoeira

Quando a parvoíce existe em demasia, a partilha é inevitável.

Crónicas da Parvoeira

Quando a parvoíce existe em demasia, a partilha é inevitável.

20.Out.20

A Impressionante e Infalível Técnica Anti-Intimidadoras Natas

O Cronista da Parvoíce

Desafio da Tânia Gomes

Premissa: Como evitar que alguém nos intimida.

A Impressionante e Infalível Técnica Anti-Intimi

 

Eu não perco o pio com facilidade, mas acontece em diversas ocasiões e quase todas são do foro respiratório. Como assim? Eu passo a explicar. Essa falta de capacidade oral acontece sempre durante e depois de situações limites, situações que me deixam, literalmente com falta de ar. E o acontece quando tenho dificuldade em respirar? Não consigo falar. Basta correr cinco metros e trinta e sete e falta-me o ar. Se fossem só cinco metros e trinta e seis, eu pareceria um atleta de alta competição, mas aquela marca é o meu limite. Ou basta encher a Pamela, e acontece o mesmo. Falta de ar! O que é bastante incomodativo e vergonhoso, uma vez que prejudica o meu desempenho. Depois nem consigo falar com ela. Quando vejo uma mulher muito bonita também me falta o ar e não consigo falar com ela. E mesmo que conseguisse, a probabilidade de ela me responder seria muito reduzida. Só mesmo com um alinhamento astral muito favorável e com a ocorrência de uma noite repleta de álcool e outras substâncias alucinogénias.

Como disse, sou naturalmente muito afável, e fora estes três casos específicos, não há nada, nem ninguém que me silencia com muita facilidade. Se bem que na verdade existe uma espécie de kryptonita para a minha oralidade. E o que é? Perguntas tu! E perguntas bem! Eu não gosto muito de falar disso, porque como disse há pouco, é algo, ou melhor, é alguém que me deixa sem palavras. E quando fico sem palavras, não tenho nada dizer. E quem esse alguém? Outra boa questão! Hoje estás a dar-lhe nas boas perguntas e por isso vou responder. Mas só por isso e também para não achares que também me consegues deixar sem palavras. Na verdade, não é bem alguém, ou pelo menos ninguém em específico. É mais um tipo que pessoas a quem chamo muito carinhosamente “pessoas-que-me-intimidam-e-que-me-deixam-sem-palavras-o-que-me-irrita-o-que-me-provoca-comichões-nas-virilhas”, enfim, um nome simples. Também podem ser chamadas de pessoas intimidadoras, mas eu prefiro o outro nome.

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E porque são intimidadoras? Porque me intimidam. Pensava que essa parte era óbvia. Não me lembro se referi isso, mas, por norma e no meu caso específico, essas pessoas são do sexo feminino. Já percebi! Ficas envergonhado quando falas com mulheres! É isso? Mais ou menos! Fico mais acanhado quando são raparigas bonitas, mas consigo falar. É verdade que só uso onomatopeias e palavras monossilábicas, mas falo. Eu não tenho culpa, é falta de hábito. Não é frequente mulheres bonitas falarem comigo e de forma intencional. é por isso as palavras me faltam, enquanto o pensamento é apenas e só um: “AHAHAHAHAHAH… Ela está a falar comigo! Está mesmo?! Será que está alguém atras de mim? O que digo agora? algo que não me comprometa! Sim! Não! Humhum! Se calhar é melhor não dizer nada!”  Não são só as bonitas que me intimidam. As feias também. Mas nesse caso, é mais medo que outra coisa.

O que faço quando estou confrontado com uma dessas intimidadoras-natas? Fácil! Tenho uma técnica deveras impressionante e direi mesmo infalível. Uso a mesma estratégia que os artistas utilizam para encarar as plateias quando ficam muito nervosos: “A Técnica do Público Nu”. Como? Desnudo mentalmente as intimidadoras, e modéstia a parte sou muito bom nisso. Durante o Verão, e enquanto estou na praia, pratico muito. Essa técnica resulta sempre e tem vários desfechos possíveis, na verdade só tem um: ESTALO. Ou porque me ri ou porque fiquei ainda mais silencioso do que o costume. E não percebo bem porque o meu silencio é sinonimo de estalada. Quando, e durante esse processo, me perco nos meus pensamentos, os mesmos não estavam mergulhados em javardice ou eram de foro erótico-badalhocos. Apenas estava a constatar que está mais em forma do que parecia! Uma especie de elogio! Sou intimidado e respondo como? Com positividade e de forma elogiosa! E o que recebo? Um estalo! Ingrata! É o que és! Repito: INGRATA!

O Cronista da Parvoíce © 2020

19.Out.20

StayAway mas é do meu Telemóvel

O Cronista da Parvoíce

Como se não tivesse problemas suficientes, agora tenho de instalar o raio de uma aplicação no telemóvel que não vai solucionar nenhum deles. Ainda pode vir a piorar alguns aspectos da minha vida. Imagino-me daqui uns anos, perdido pelas ruas a mendigar, e lembrando os tempos áureos em que tinha tecto e minha colecção favorita de pornografia intacta. A mesma que tive de penhorar depois de ficar, sem casa e sem carro, por não conseguir pagar uma multa, e os consequentes juros, por não instalar o raio de uma aplicação. O que me incomoda mais não é o valor. Não! O valor incomoda-me bastante! São 500 minis! Desde que sejam compradas antes das 20h, porque depois já não dá, mesmo que fosse para bebê-las em casa.

O que me incomoda mesmo são as espécies de “Operações STOP” que podem vir a acontecer:

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Agente da Autoridade: - Bom dia, eu sou o Agente Faria. Vou pedir ao Senhor que me dê os seus documentos, os da viatura e o seu telemóvel.

Eu: - Se os der fico sem eles. Aahahahaah

Agente da Autoridade: Desculpe! Não percebi o que disse!

Eu: - Não disse nada. Aqui estão!

Agente da Autoridade: - Certo! Estou aqui a confirmar tudo e estamos perante uma situação gravíssima!

Eu: - Então? É por causa do cheiro a álcool? Eu justifico! Por precaução optei pela desinfeção externa e interna. Daí as 3 garrafas de vodkas!

Agente da Autoridade: - Não é nada disso! Estive a confirmar o seu telemóvel e…

Eu: - Eu instalei o “StayAway”

Agente da Autoridade: - Instalou isso e uma carrada de outras coisas. Que merda de aplicações são essas?

Eu: - Eu tenho o CandyCrush porque sou diabético e como não posso comer doces, vingo-me escavacando-os.

Agente da Autoridade: - As aplicações de desporto percebo. Você está realmente fora de forma. E que tal começar a utiliza-las?

Eu: - Ainda não comecei por uma questão de poupança.

Agente da Autoridade: - Não se quer cansar!

Eu: - Não é isso. Gastam muito bateria e depois não posso utilizar o “StayAway”.

Agente da Autoridade: - E porque têm essas aplicações todas de encontros? Não se safa só com o Tinder? Não se preocupe. Vou ajuda-lo. Fonseca chega aqui! Este rapaz precisa da tua ajuda! Ele é o especialista!

Eu: - Deixe estar não é preciso

Agente da Autoridade: - Isto é simples! Para começar e com esse aspecto não pode armar-se em esquisito. Tem de alargar o raio de ação e “swipe right” constante. Quando tiver algum “match” aí você escolhe. Precisa de mais algum conselho?

Agente da Autoridade: - E porque têm essas aplicações todas de encontros? Não se safa só com o Tinder? Não se preocupe. Vou ajuda-lo. Fonseca chega aqui! Este rapaz precisa da nossa ajuda!

Eu: - Não é preciso…

Agente da Autoridade: - Não tenha vergonha. Aqui o Fonseca também é especialista no Badoo.

Eu: - Hummm…. Deixe-me ver o meu telemóvel. (Tenho de me safar disto de alguma forma! Vou ter de fazer sacrifícios! Adeus Playboys!)

Agente da Autoridade: - Sim. Claro.

Eu: - Olha… Que estranho… Afinal não tenho o “Stay Away” instalado!

Agente da Autoridade: Não!? Então vamos ter de multa-lo!

Eu: - Sim… É melhor!

Para evitar esse tipo de situações o melhor é mesmo desinstalar todas as aplicações subjectivas que tenhas. Foi o que fiz! Adeus Tinder!

O Cronista da Parvoíce © 2020

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10.Out.20

O Caminhante Antigravidade

O Cronista da Parvoíce

Desafio da Tânia Gomes

Premissa: Como andar sem pisar o chão.

Quando tenho falta de inspiração uso sempre a minha bomba da asma. Estou a confundir é quando a respiração falha é que a uso. Ou depois de encher a Pamela. Não sabes quem é a Pamela? É a substituta da Natacha! Infelizmente rompi-a de tanto uso. Já não se fazem boneca insufláveis como antigamente. Quando a minha inspiração está em baixo tenho uma estratégia infalível para resolver a questão. Basta ir para a casa-de-banho e sentar-me no trono. Não sei se é por ser um lugar mágico ou por estar drunfado por odores intestinais, mas de um momento para outro, torno-me num autêntico idiota com um corrupio de ideias. Enquanto uns usam álcool, ou mesmo drogas, eu preciso de um bom cozido, de uma boa feijoada ou qualquer outra refeição que implica uma ida obrigatória onde acontece a magia (entre outras coisas), ou seja, a casa-de-banho.

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Confesso que também aproveito as energias inspirativas da casa-de-banho para reflectir e tentar responder a questões cuja a pertinência e a estupidez estão de mãos dadas. Agora pensa comigo. Se uma pessoa está nua, ela pode levar um tiro a queima roupa? Não sabes?! Pois! Pertinente e estúpido! Nas minhas últimas visitas ao reino inspiracional, e depois de um esforço tremendo para brotar alguma coisa, ideia e não só, surgiram-me duas questões. Como tomar banho no rio sem o molhar os pés? E como andar sem pisar o chão? Quanto ao banho é fácil, basta usar sacos de plásticos hermeticamente fechados, mas esse calçado improvisado potenciaria algumas quedas. a melhor forma é fazendo constantemente o pino debaixo de água, mas esta solução não é muito recomendada para os asmáticos. Para ter a certeza que não vai molhar os pés, o melhor é ser perneta. Assim está garantido!

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Agora a questão do andar sem pisar o chão parece-me mais difícil de responder. É respondível, mas mais complexa. Na procura de respostas, outras questões se levantam. Isso de pisar o chão implica um contacto directo dos meus pés ou mãos com o solo? As mãos?! Perguntas tu? E bem! Sim porque pensei na hipótese de descolar-me fazendo o pino, mas devido a questões físicas, como o poder gravitacional da minha barriga, está demasiadamente desenvolvida, e por isso, estaria constantemente a cair. Ou mesmo o desequilíbrio muscular dos meus membros superiores. Tenho um braço mais musculado que o outro. Não vou explicar porquê, mas só dizer que está relacionado com visionamento noturno de cinema exótico.

Também pensei na hipótese de viajar usando substâncias psicotrópicas, mas não estaria mesmo a andar. Viajaria com unicórnios e elefantes rosas, mas sempre no mesmo lugar. A deslocação recorrendo a veículos pareceu-me a solução certa. O problema é que esses mesmos têm chão, ou seja, ando a mesma pisando o chão.  Outra hipótese seria ser um super-herói que pode voar, ou mesmo flutuar, o Antigravidade Man. Infelizmente, e por razoes logísticas, não é possível. Os fatos são demasiado apertados, iriam embalofar-me e como qualquer herói respeitável teria de usar máscara, e como sou míope, não iria resultar. Já é um pesadelo para arranjar uma folia no carnaval, nem quero pensar andar assim todos dias. Ficaria ridículo com a máscara por cima dos óculos.

Mesmo assim, e contra todas as tuas expectativas, arranjei a solução para andar sem eu pisar o chão. É simples. Sempre que eu usar qualquer tipo de transporte, vou com os pés levantados. O que nem é muito difícil visto que sou baixinho e tenho dificuldade em tocar no chão estou sentado. É que nem no trono chego ao chão. Falando nisso. Sinto, e muito, malditos gases, que chegou a hora de ter mais umas ideias.

O Cronista da Parvoíce © 2020

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